E agora?

Durante muito tempo eu questionei a minha deficiência, enfrentei muitos desafios, me senti sozinha, me senti amada, me senti triste e me senti forte, são tantos sentimentos, percepções, aprendizados e mudanças.

Quando eu era criança foi fundamental pensar que todas as crianças eram diferentes e cada uma era única no mundo; durante a adolescência eu descobri o que era ser deficiente e assumi a responsabilidade, as lutas e bandeiras dessa causa; através do esporte aprendi a me dedicar e enfrentar os desafios que a vida me traz; durante a juventude entendi a diferença entre preconceito e discriminação: o preconceito é a falta de conhecimento, um juízo preconcebido, a discriminação leva a exclusão social e não deve existir em nenhuma circunstância, sendo essa social, racial, política, religiosa, de gênero, idade ou de pessoas com deficiência; aprendi a ser solidária, otimista, honesta e justa; através da minha deficiência criei barreiras, defesas, e fiz o que precisava ser feito para me sentir bem e feliz, me fortaleci e fui obrigada a crescer muito cedo.

Eu sempre pensei que deveria me esforçar mais que os outros, eu me culpava por ter dado tanto trabalho aos meus pais que fizeram de tudo para fazer a coisa certa, eu tive raiva e ódio de uma sociedade injusta e discriminatória, eu fui egoísta quando pensava que a culpa da minha deficiência era dos meus pais, eu fui fraca ao me afastar da espiritualidade e deixar de acreditar no bem em alguns momentos, e acima de todos esses sentimentos ruins que outrora eu senti, hoje eu sei que está tudo bem, que não existe fórmula para lidar com pessoas com deficiência, que você pode se sentir mal, triste, inseguro, ter raiva, rancor, e se sentir feliz, leve, forte, capaz, seguro, e qualquer sentimento, atitude ou pensamento que possa surgir, não há problema em se sentir assim. O que não podemos fazer é deixar de pedir ajuda por orgulho, e deixar de estender a mão a quem não compreender as dificuldades que uma pessoa com deficiência enfrenta e traz a uma família.

Tudo o que aconteceu me levou aonde eu queria chegar, hoje em dia sou Psicóloga Clínica, tenho especialização em Psicologia Esportiva e trabalho com Pessoas com Deficiência. Eu tenho dias bons e ruins, tenho uma família que me ama, tenho muitos amigos e desejo trabalhar e ajudar muitas pessoas ao longo da minha vida.

Com carinho,

Fee

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