Juventude

Ao entrar na faculdade eu não precisava me esconder, já me sentia segura, conseguia me relacionar sem medo e sem precisar usar casaco. Eu gostava muito de uma disciplina de Neurociências, no laboratório era importante manusear os materiais, eu precisava usar luvas e amarrava os dedos, colocava uma fita adesiva e me fascinava com o conteúdo, me encantei e resolvi fazer a prova para ser monitora. Novamente enfrentava um desafio, me questionei, tive dúvidas se seria capaz de realizar tal tarefa, algumas amigas falaram que eu deveria me esforçar e tentar fazer a prova, a minha deficiência jamais poderia me impedir de atingir qualquer objetivo; me tornei monitora e alguns meses depois monitora-chefe, dei aula para muitos alunos, novamente não tive medo de me expor e realizei uma das tarefas que me fez ter mais orgulho durante a faculdade. Além de ser monitora fiz estágio no Núcleo de Apoio e Inclusão de Pessoas com Deficiência da faculdade, me envolvi no Movimento Estudantil, participei do Centro Acadêmico, do Diretório Central Estudantil, fui goleira na equipe de Futsal da Universidade e fui oradora de turma na minha formatura. De todos os aprendizados na Universidade o maior de todos sempre foi perceber que quando a gente se dedica, as coisas acontecem.

Nesse período em que cursei a faculdade conheci a ONG ADAPTSURF, que tem como objetivo Promover a inclusão e integração social das pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, garantindo igualdade de oportunidades e acesso ao lazer, esporte e cultura, através do contato direto com a Natureza. Finalmente, eu passei a conviver com outras pessoas com deficiência e percebi que eu não estava sozinha. Conheci pessoas incríveis com história de vidas interessantes e aprendi com cada pessoa que passou por lá, aprendi a surfar e até hoje eu lembro da sensação da primeira onda, com os dois pés firmes na prancha eu me sentia no controle da minha vida, ali eu deixava pra traz a dor de cada discriminação. Os voluntários observavam todas as possibilidades e potencialidades de cada pessoa com deficiência, as pessoas transformavam a sua personalidade, sua visão de mundo, e seu modo de encarar a vida quando começavam a surfar, eu comecei a perceber a influência daquele esporte no comportamento de cada um, eu já estava fazendo estágio com Psicologia Esportiva e comecei a fazer pesquisas com o Surf Adaptado, fiz um estágio que me levou a um estudo de dois anos e resultou em uma monografia. Além de surfar e mudar a minha vida e a vida da minha família que passou a acompanhar as minhas atividades eu comecei a mudar a vida dos alunos, assim que eu me formei me tornei Psicóloga Esportiva da ONG.

Com carinho,

Fee

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s