Infância e Adolescência

Eu nasci com má formação congênita na mão esquerda, desde criança sempre fui muito enérgica, gostava de brincar e de fazer amigos. As fotografias mostram o quanto eu era risonha e feliz. Minha cor favorita era rosa e a brincadeira que eu mais gostava de jogar era futebol com a minha família e amigos.

Sobre a minha infância tenho poucas informações, afinal estava mais preocupada em brincar e com aquela idade não há muito o que recordar. Entre a primeira e segunda infância eu percebi que existia uma diferença, eu achava estranho as crianças terem duas mãos, naquele tempo eu achava que era a única pessoa certa e que todas as outras eram diferentes, eu não me via de uma maneira distinta, não me sentia especial, era como se eu pensasse: eu nasci dessa forma, logo compreendo a minha vida assim e não de outra maneira.

Quando era criança não tenho lembranças ruins, pelo contrário, vejo a minha infância como uma etapa alegre e memorável. Em uma das cartas que meus pais enviavam aos médicos estava uma pergunta que fiz a minha mãe, eu perguntei se meus dedos iriam crescer algum dia, ela respondeu, disse que eu fiquei bem triste e logo esqueci.

O tempo foi passando e como qualquer adolescente eu comecei a questionar a vida e a sociedade, então passei a perceber os olhares, os comentários e a discriminação na rua. Na adolescência eu sempre me fazia a mesma pergunta: – “Por que isso aconteceu comigo?” eu não consigo recordar quantas vezes questionei a minha deficiência, através dos olhares eu me culpava por ser diferente de todos, eu não tinha respostas e cada vez mais angustiada me sentia.

Certa vez eu encontrei uma maleta com todos os documentos referentes a minha deficiência, o diagnóstico de terapeutas ocupacionais, médicos e inúmeras cartas que meus pais escreviam aos médicos do exterior tentando compreender a minha deficiência. A única lembrança que eu tenho foi uma consulta para saber se eu gostaria de ter uma prótese, eu sempre rejeitei essa ideia, eu não precisava de mais nada, as minhas dificuldades eram superadas com paciência e dedicação. Com a ajuda da minha família eu aprendi a andar de bicicleta, a amarrar o sapato, a lavar a louça, a prender o cabelo, a jogar bola, e tantas outras coisas adaptadas que eu precisei aprender. Meu pensamento em relação a prótese flutuava na minha consciência por que eu sabia o valor do investimento e questionava a necessidade real daquilo, até hoje enfrento esse dilema.

Com carinho,

Fee

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